Chicos about los chicos contributors playlist Get in Touch

Rafael

FOTOGRAFIA + TEXTO: RODRIGO LADEIRA | VÍDEO: GUILHERME SANTIAGO

20022017

No início do ano passado fomos até o Rio de Janeiro com o intuito de dar mais uma festa do projeto e fotografar mais alguns “chicos”. Já há um tempo, eu conversava com o Rafael sobre ele participar e finalmente aconteceu. Ele veio até o apê que alugamos, ficamos conversando sobre suas experiências e logo mais, para não perder a luz do dia, clicamos pelo corredor e a sala.

“A gente vive cercados de esteriótipos. O carioca é sempre o malandrão, o pegador. E tem o funk que é um movimento cultural muito bacana, que também fala sobre a resistência, mas você ainda tem diversas letras machistas, homofóbicas e racistas. O que é bizarro! Ser gay e ser carioca é complicado, a gente acha que é mil maravilhas, mas as maravilhas são só na zona sul. Não tem isso lá na zona norte, na zona oeste. A gente vê pessoas sendo morta todos os dias.”

“Meus pais começaram a falar que eu não podia ser afeminado e que eu não podia agir de algumas formas, pois isso é coisa de mulherzinha. Então, além de uma homofobia intrínseca, tem um machismo também. Depois que eu beijei o primeiro menino, eu comecei a usar a internet e perceber que não havia nada de errado. Eu não era errado por ser gay e depois começar a desconstruir isso dentro de casa. Depois de um tempo, eu coloquei as cartas na mesa. “Eu sou gay, eu não estou doente e não tem nada que eu possa fazer para mudar”.